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David Sá Barros é homenageado em celebração ecumênica

Celebração ecumênica em memória do presidente do SEEB-MA, David Sá Barros, ocorreu, neste sábado (20), na sede do Sindicato, no Centro.

20/08/2011 às 22:59
Luís Victor Saldanha - Ascom/SEEB-MA
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David Sá Barros, Presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA)

SÃO LUÍS (MA) - A celebração ecumênica em memória do presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), David Sá Barros, falecido no domingo (14/08), foi marcada por muitas homenagens e discursos emocionados dos presentes. A Palavra de Deus foi ministrada pelo padre Almir de Aquino, da Igreja do Cohafuma, e pelo bispo Renato Chaves, da Igreja da Colheita do Recanto dos Vinhais. Além da diretoria e dos funcionários do SEEB-MA, familiares, bancários e amigos do presidente marcaram presença na celebração, que ocorreu, neste sábado (20), no auditório Ernesto Che Guevara, na sede do Sindicato, na Rua do Sol – Centro de São Luís.

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Como parte das homenagens, todos vestiram camisas com a foto de David estampada. Nelas, havia o dizer “Estás vivo em nossa luta”. Uma clara mensagem de que o presidente partiu, mas não morreu, “pois quem luta pela humanidade não morre mesmo. Quem morre é como a luta, continua em seus e em suas camaradas, não morre jamais” – conforme afirmou o amigo do presidente, Sílvio Soares, de Brasília.

Em nome da diretoria do Sindicato, dos funcionários e de todos os bancários, o diretor de finanças e administração do SEEB-MA, Targino Júnior, homenageou o presidente com um poema de Manuel Bandeira intitulado “A Mário de Andrade Ausente”. Em seguida, cinco dos catorze bancários que foram repressivamente descomissionados pelo Banco do Brasil (BB) foram à tribuna do auditório para ler uma carta de agradecimento ao presidente por sua última e grandiosa vitória à frente do SEEB-MA. A reintegração desses bancários aos seus cargos de origem.

A decisão judicial que determinou tal reintegração veio, no último dia (11/08), alegrando intensamente o presidente. Afinal, a decisão era um reconhecimento dos ideais defendidos por David e por toda a diretoria do SEEB-MA. O juiz, além de reintegrar as vítimas, enquadrou a situação como “abuso de poder” por parte do BB, condenou a atitude “intimidatória” e “ditatorial” do banco e exigiu o fim de qualquer ato de destituição em relação aos bancários que ainda não haviam tido suas funções suprimidas.

Essa batalha histórica vencida pelo SEEB-MA – na gestão de David – é vista hoje como exemplo em vários Estados, encorajando os bancários que têm o direito à jornada de trabalho de 6h a buscarem seus direitos.

Em trecho da carta dos reintegrados, uma das vítimas do banco, Lúcia de Ericeira, fez questão de destacar “que em meio à angústia deles [dos bancários], o otimismo contagiante de Davizinho [modo como ele foi chamado durante toda a leitura] era um bálsamo, uma certeza de que a justiça iria prevalecer". Com a voz embargada, a bancária agradeceu a participação fundamental de David no processo de reintegração e lembrou-se da postura sempre aguerrida do presidente contra o assédio dos bancos e pelo respeito à categoria bancária. Lúcia finalizou a homenagem – em nome de todas as vítimas do BB - com o seguinte dizer: “Antes, nós éramos chamados de descomissionados, mas, hoje, graças ao Davizinho – somos conhecidos como os reintegrados do Banco do Brasil”.

Nesse momento, o auditório foi tomado por uma salva de palmas. Em seguida, um vídeo mostrou um pouco da brilhante história de luta do presidente contra a adaptação do movimento sindical aos governos e aos patrões.

Recentemente, David esteve à frente da vitória da categoria bancária do Maranhão, que decidiu por - ampla maioria - desfiliar o SEEB-MA da CUT, com o intuito de manter um sindicalismo independente, autônomo e comprometido com os ideais de liberdade, democracia, solidariedade e de luta pelos direitos dos bancários. Esse posicionamento defendido por David, já era compartilhado por toda diretoria do SEEB-MA e agora será mantido pelo novo presidente do Sindicato, José Maria Corrêa Nascimento.
 
No final da celebração, a filha de David, Ísis Barros, pediu a palavra para agradecer as homenagens, o conforto e a atenção recebidos pela família nesse momento difícil. Muito emocionada, ela disse: “Eu cresci aqui. Corria por esse lugar, enquanto meu pai ficava nas reuniões. Alguns de vocês me colocaram no colo. Eu estou muito agradecida por tudo. Não haveria lugar melhor para homenagear meu pai do que nesse Sindicato. Muito obrigada”.

As palavras de Ísis comoveram todos os presentes, que ao som de hinos, músicas e louvores, despediram-se do eterno camarada David Sá Barros que, agora, descansa em paz nas mãos do Senhor.

Confira o poema lido pelo diretor Targino Júnior:

Anunciaram que você morreu.
Meus olhos, meus ouvidos testemunham:
A alma profunda, não.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Sei bem que ela virá
(Pela força persuasiva do tempo).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra.
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue.
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que em você
Profundamente.

Mas agora não sinto a sua falta.
 
(É sempre assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu.)

Você não morreu: ausentou-se.
Direi: Faz tempo que ele não escreve.
Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.
Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.
Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?
A vida é uma só. A sua continua
Na vida que você viveu.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Carta dos reintegrados do Banco do Brasil intitulada de "Carta a Davisinho":

Hoje choramos. Gostaríamos de ter-te por mais tempo em nosso convívio. Sabemos que aportaste no Plano Espiritual envolto pelo carinho, gratidão e reconhecimento de todos os beneficiados pelo ardor de tua luta e até, quem sabe, pelo sacrifício de tua vida.

Sentimos que estás bem, até porque qual sejam as circunstâncias, tens a capacidade de alterá-la com o teu sempre presente otimismo e ilimitada capacidade de lutar.

Teus últimos dias entre nós foram muito intensos. Transgredidos e desrespeitados em nossos mais nobres sentimentos, tivemos em ti a âncora, a referência, o apoio necessário para todos os momentos. Carregaste sobre os ombros todas as nossas angustias. Sempre otimista, foste o balsamo para nossos desalentos.

A admiração e a sempre presente confiança em tua conduta redobrou-se e tua presença tornou-se imprescindível em nossas vidas.

A grande vitória da justiça, também tua vitória,  contagiou-te com tamanha alegria que vieste abraçar-nos, selando, sem que soubéssemos, a tua despedida.

Fortalecidos pelo teu exemplo imortal continuamos a luta, na certeza de que tua trajetória nos deixa uma grande lição do limite entre o perecível e o imperecível, do transitório e do eterno, do mortal e do imortal.

Ensina-nos o apostolo Paulo que semeado o corpo carnal, ressurge o astral. Na certeza desta verdade, sabemos que tu vives. O teu exemplo há de impulsionar a luta para que as injustiças sejam banidas das relações sociais.

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